quarta-feira, 30 de março de 2011

Curso a distância sobre sensoriamento remoto


A Sociedade de Especialistas Latino-americanos em Sensoriamento Remoto (Selper) realizará curso a distância de Introdução ao Sensoriamento Remoto. O objetivo desta iniciativa é capacitar diferentes tipos de profissionais no uso da tecnologia de Sensoriamento Remoto, difundir o uso de dados do satélite sino-brasileiro (Cbers) e de outros satélites, disponíveis gratuitamente na internet, bem como fomentar o uso do software Spring, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e também gratuito.

O curso é voltado a profissionais com nível superior vinculados às ciências da terra e ambientais (geografia, geologia, biologia, agronomia, cartografia, arquitetura e engenharia civil, florestal, agrícola, de agrimensura e ambiental) poderão se candidatar as vagas.

Conferência: Alan Woods no Rio de Janeiro

terça-feira, 29 de março de 2011

O Instituto Imazon oferece algumas oportunidades de estágio e emprego


Estágio no programa Direito e Sustentabilidade
O Imazon abre vaga de estágio nas áreas de Direito, Engenharia Ambiental, Engenharia Florestal ou Administração para para apoiar o desenvolvimento de pesquisas em responsabilização ambiental na Amazônia. Acesse o edital aqui.

Estágio no programa Floresta e Comunidade
Também está aberta vaga de estágio nas áreas de Economia e Engenharias Ambiental e Florestal para apoiar o desenvolvimento de pesquisas em socioeconomia. Acesse o edital com todas as informações aqui.

Estágio no Setor Administrativo
O Imazon oferece uma vaga de estágio para auxiliar a Gerência Financeira. O edital sobre os requisitos da vaga pode ser acessado aqui.

Vaga para Pesquisador Assistente
O Imazon busca um pesquisador assistente para conduzir análises sobre a aplicação de leis ambientais e regularização ambiental de imóveis rurais na Amazônia. As informações sobre a vaga podem ser acessadas aqui.

Vaga para Técnico em Geoprocessamento
O Imazon busca um técnico em geoprocessamento para conduzir análises sobre a regularização ambiental e fundiária na Amazônia. Acesse o edital aqui.

sábado, 26 de março de 2011

XIV Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada

Com vinte e oito anos de existência o Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada hoje se apresenta como um evento tradicional e de grande importância dentro da comunidade geográfica. A primeira edição, organizada pelo curso de Geografia da Unesp de Rio Claro, ocorreu no ano de 1983. A décima terceira edição, realizada no ano de 2009, ocorreu na cidade de Viçosa (MG) e sua organização ficou sob a responsabilidade do Departamento de Geografia da UFV.

O Programa de Pós-Graduação em Geografia e o Curso de Geografia da UFGD obtiveram o direito de sediar a décima quarta edição e, seguindo os objetivos SBGFA, a Comissão Organizadora traçou como meta oferecer a comunidade geográfica um espaço capaz de congregar as áreas da Geografia Física e ciências correlatas, isso para permitir discussões e debates em contextos amplos e transversais cujos teores venham favorecer, ampliar e fortalecer a Geografia no contexto nacional.

Para mais informações acesse:
http://www.ipemultimidia.com.br/xivsbgfa/

Workshop Sustentabilidade em Gaia - BH

Gaia 2.jpg

quinta-feira, 24 de março de 2011

CNI seleciona Analistas


A Confederação Nacional da Indústria está selecionando profissionais para trabalhar em sua sede, em Brasília:



Analista de Políticas e Indústria II (Meio Ambiente) - 2 vagas

Pré-requisitos:

· Superior completo preferencialmente em Administração, Engenharias,
Geografia, Economia, Direito ou áreas afins;

· Desejável pós-graduação preferencialmente em Meio Ambiente ou áreas afins;

· Experiência em Meio Ambiente;

· Conhecimento em recursos hídricos, florestas, biodiversidade, mercado de carbono e resíduos sólidos;

· Conhecimento intermediário em Word, Excel e Power Point;

· Conhecimento intermediário em inglês.


Período: até 22 de abril



Analista de Políticas e Indústria II (Planejamento e Meio Ambiente) - prazo determinado

Pré-requisitos:

· Superior completo preferencialmente em Administração, Engenharias ou áreas afins;

· Desejável pós-graduação preferencialmente em Administração, Comunicação ou áreas afins;

· Experiência em planejamento e organização de eventos de Meio Ambiente;

· Conhecimento em Meio Ambiente;

· Conhecimento intermediário em Word, Excel e Power Point;

· Conhecimento avançado em inglês.

Cadastro de currículo: www.vagas.com.br/cni <http://www.vagas.com.br/cni>

Período: até 30 de março

Mais informações sobre os processos seletivos e seus critérios estarão disponíveis no site durante o período de inscrição. A seleção será realizada pela consultoria Catho Veli.

A quem serve a transposição das águas do São Francisco?




Bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Por Aziz Ab'Saber. Foto: Agência Brasil
Por Aziz Ab´Sáber*
É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas ideias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas. Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.
Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar. Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil.
Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do País, onde se encontra a região semi-árida mais povoada do mundo.
O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte. Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.
Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio – Paulo Afonso, Itaparica e Xingó.
Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região.
Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela idéia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas?
Os “vazanteiros” que fazem horticultura no leito dos rios que “cortam” – que perdem fluxo durante o ano-serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: “A cultura de vazante já era”. Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados. De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm.
Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste. No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses.
Trata-se, porém, do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes.
O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da Chapada do Araripe – com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política.
No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria.
*Aziz Ab´Sáber é geógrafo, professor e escritor. Professor-Doutor em Geografia Física (USP), ganhador do prêmio Ciência e Meio Ambiente da Unesco, também foi presidente da SBPC e do Condephaat e diretor do Instituto de Geografia da USP.

Fonte: http://migre.me/46Chk

quarta-feira, 23 de março de 2011

Decanos Brasileiros: Aziz Ab´Saber


Em entrevista ao Estadão o geógrafo Aziz Nacib Ab"Saber revela suas visões sobre a democracia brasileira na série "Decanos Brasileiros - Dez Visões Sobre a Democracia no País"

terça-feira, 22 de março de 2011

Clube de Engenharia: "Comemoração do Dia Mundial da Água"

VII COLÓQUIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS GEODÉSICAS

VII COLÓQUIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS GEODÉSICAS

A INTERDISCIPLINARIDADE NAS PESQUISAS EM CIÊNCIAS GEODÉSICAS


O Curso de Pós-Graduação em Ciências Geodésicas da Universidade Federal do Paraná realizará de 12 a 14 de setembro de 2011 o VII COLÓQUIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS GEODÉSICAS. COmo é tradição do CBCG, busca-se consolidar um espaço democrático para a troca de idéias e discussões de temas atuais na Comunidade de Ciências Geodésicas, enfocando avanços nas áreas de Geodésia, Levantamentos, Cartografia, Sistemas de Informações Geográficas, Fotogrametria e Sensoriamento Remoto.

Mais informações acesse: http://www.cbcg.ufpr.br/

segunda-feira, 21 de março de 2011

'1ª Conferência Estadual sobre Desenvolvimento Sustentável: a Paraíba do século XXI'





A '1ª Conferência Estadual sobre Desenvolvimento Sustentável: a Paraíba do século XXI' é promovida pelo Governo do Estado e tem o objetivo de discutir o crescimento econômico, a sustentabilidade ambiental e inclusão social na Paraíba. Vai ocorrer nos dias 24 e 25 de março, no Cine Bangüê do Espaço Cultural, na Capital, e as inscrições já estão abertas para o público em geral, que basta preencher o formulário abaixo com dados pessoais e a área de interesse no evento.

sábado, 19 de março de 2011

CPTEC realiza Curso de Meteorologia Sinótica aplicada à Previsão de Tempo

Bolsa de Pós-doutorado do PNPD/CAPES para o projeto "Desenvolvimento de Sistemas Sensores de Umidade do Ar e de Solo "

O Laboratório Associado de Sensores e Materiais (LAS) do INPE, em São José dos Campos, SP, está selecionando um(a) bolsista de pós-doutorado para a pesquisa em mecanismos físico e químicos de adsorção/absorção de água em superfícies de poros de óxidos metálicos e sua relação com a superfície específica de poros e a distribuição de tamanhos destes poros. 
A bolsa tem duração máxima de cinco anos e a carga horária é de 40 horas semanais, com dedicação exclusiva e em tempo integral. O início das atividades está previsto para maio de 2011. 

O valor da bolsa é de R$ 3.300,00 mensais. 

Pré-requisitos:

Profissional com cursos de pós-graduação, ao nível de doutorado, em ciência ou engenharia de materiais, engenharia química, química ou física. Dar-se-á preferência aos candidatos que tenham experiência em atividades de pesquisa experimental ou desenvolvimento na área de materiais. É desejável que o(a) interessado(a) possua conhecimentos em técnicas de caracterização de superfícies de materiais. O bolsista deverá ter obtido o título de doutor há, no máximo, 5 (cinco) anos.

Contato: Enviar currículo, cópia da tese de doutorado (em pdf) e Histórico Acadêmico do doutorado, até 30/03/2011, para a Dra. Maria do Carmo de Andrade Nono, e-mail: maria@las.inpe.br

sexta-feira, 18 de março de 2011

Revista e-metropolis


O Financial Times e o Pré-sal


O FINANCIAL TIMES E O PRÉ-SAL
Uma reportagem do diário britânico "Financial Times" avalia na última quarta-feira (16/03) que a exploração do petróleo pré-sal pode aprofundar a dependência do país em relação às exportações e prejudicar ainda mais a indústria nacional. 

Na reportagem, de página inteira, o jornal lembra que a extração de petróleo de camadas a mais de 2 mil metros de profundidade tem o potencial de "lançar o país ao status de nação desenvolvida", mas também o de "transformar o país para bem ou para mal". "O perigo para o Brasil, caso os recursos não sejam manejados de forma sábia, é o de se tornar uma vítima da 'doença holandesa'", diz o jornal, em referência à situação econômica da Holanda nos anos 1970, quando importantes descobertas de gás elevaram a taxa de câmbio e os preços de energia, golpeando a indústria. "Pior, o Brasil poderia sofrer um tipo ainda mais grave de doença, a 'maldição do petróleo', na qual nações ricas em recursos naturais - como Nigéria e Venezuela - se tornam cada vez mais viciadas no dinheiro que eles provêem, o que leva à má governabilidade e a corrupção." Sem limitar sua análise ao campo petroleiro, o artigo recorda que analistas já consideram que o país está "nos estágios iniciais da doença holandesa". "Exportadores e a indústria doméstica estão tendo dificuldade para competir globalmente, à medida que a demanda chinesa pelas commodities do país impulsiona o valor do real", relata o jornal. 

O boom do preço das commodities criado e mantido pelo enorme volume de compras da China tem causado uma apreciação da moeda brasileira o que acaba por encarecer os preços dos produtos produzidos no Brasil. O Brasil já é líder ou está entre os primeiros na produção e exportação de commodities como minério de ferro, carne, açúcar, café, suco de laranja e soja. "O câmbio se apreciou cerca de 40% em relação à cotação que vigorava há dois anos."Citado pelo jornal, o professor de Harvard Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), opina que "a doença holandesa do Brasil vem de todo tipo de recursos naturais" e "o petróleo pode levar o problema a um novo patamar". A reportagem lembra que, para tentar evitar a dependência, o governo e a Petrobras elevaram de 30% para 53% a proporção de conteúdo local para novos projetos - uma tentativa de usar a estatal como locomotiva para a manufatura brasileira. Entretanto, o texto também aponta para as avaliações de que tal uso da Petrobras como motor do desenvolvimento pode acabar levando a uma "politização" da empresa. Para o professor Rogoff, o caminho para o Brasil seria focar menos nos possíveis efeitos negativos da "doença holandesa" e mais em desenvolver áreas que garantirão desenvolvimento de longo prazo, como infra-estrutura e educação.

 "Embora o Brasil tenha feito avanços em melhorar a educação, e sua infraestrutura seja melhor que a de outros mercados emergentes, como a Índia, o país ainda deixa a desejar em relação às economias desenvolvidas em ambas as áreas", afirma a reportagem.(BBC BRASIL/Redação)

Fonte: BBC BRASIL

quinta-feira, 17 de março de 2011

Encontro Acadêmico Internacional Resíduos SólidosUrbanos e seus impactos socioambientais

Dia 30 de março de 2011, Quarta-feira, das 8h00 às 18h00. Auditório Professor Francisco Romeu Landi, Edifício Eng. Mario Covas Junior (Prédio da ADM – Poli). Av. Prof. Luciano Gualberto, trave. 3 nº 380 – Cidade Universitária USP.

Empresa de Minas Gerais seleciona estagiários em áreas diversas


A Progeo Consultoria Geográfica, empresa que atua no levantamento e organização de dados espaciais, com sede em Uberlândia (MG), está selecionando estagiários dos cursos de geografia, engenharia ambiental e biologia.

Necessário estar cursando 4º período ou superior. As atividades incluem auxílio no levantamento de dados, elaboração de mapas, identificação de espécimes e confecção de relatórios.

A empresa oferece benefícios como vale-tranporte e recesso remunerado. O período é de 6 horas por dia.

Interessados devem enviar currículo para 


Perde a Embrapa, perde o Brasil

Rodrigo Lara Mesquita

No momento em que o País discute no Congresso Nacional a reforma do Código Florestal e enfrenta grandes desafios de planejamento, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) extingue, em Campinas, a sua única área de excelência em gestão territorial estratégica.

A Embrapa Monitoramento por Satélite foi criada há mais de 20 anos com a finalidade de ser um instrumento estratégico do Ministério da Agricultura e do Estado brasileiro em planejamento e monitoramento territorial.

A equipe do centro desenvolveu sistemas inéditos, baseados no uso de satélites, para monitorar queimadas e desmatamentos na Amazônia; controlar a febre aftosa na faixa de fronteira; avaliar o alcance territorial das mudanças introduzidas na legislação ambiental; mapear a irrigação no Nordeste, a urbanização nos municípios brasileiros e a expansão da agroenergia; monitorar o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em todo o País e outros estudos. A maior parte dos resultados inovadores dessas pesquisas e prestações de serviços está disponível no site da Embrapa Monitoramento por Satélite (www.cnpm.embrapa.br).

Tendo em perspectiva a Eco-92 e as questões relacionadas à gestão territorial estratégica da Amazônia, apoiei a instituição, criada em 1989 por determinação do presidente José Sarney, e contribui para seu crescimento por meio do Comitê Assessor Externo (CAE). Rapidamente o centro passou a fornecer informações para diversos órgãos da Presidência da República, para as diversas cadeias produtivas da agricultura, para a mídia, para organizações não governamentais e para a sociedade brasileira em geral.

Os dados à disposição em seu site chegaram a receber mais de 1 milhão de hits diário, com picos em lançamentos de resultados de projetos inovadores como O Brasil Visto do Espaço, O Brasil Visto em Relevo ou ainda Rio Demene - um caminho para a Amazônia. O centro passou a receber e a formar estagiários, bolsistas, mestrandos e doutorandos da Universidade de São Paulo, da Unicamp, da Unesp, da Unip e outras, além de participar de diversos projetos de pesquisa internacionais e bilaterais em sua área de atuação.

Em razão dessa história exemplar, ao prestar serviços e trazer soluções tecnológicas adequadas, competitivas e viáveis na temática da gestão territorial, o centro angariou reconhecimento público por seu trabalho, gerando em 2008 - enquanto a problemática em torno das questões de ordenamento territorial ainda constava do seu norte estratégico - 461 notícias sobre suas atividades, em 253 veículos distintos de imprensa no Brasil e no exterior. Esse processo culminou, em 2009, com a inauguração de suas modernas instalações pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de cinco ministros e autoridades do Judiciário e do Legislativo.

Em 20 anos de existência o centro gerou mais de uma centena de zoneamentos e sistemas de gestão e monitoramento territorial para a agricultura e o agronegócio, desde a escala local até a planetária. Foram mais de 100 mil mapas e publicações, e suas informações científicas beneficiaram milhões de usuários no Brasil e no exterior, além de mais de 2 mil parceiros e clientes diretos. Mapas mundi e do Brasil, gerados a partir de imagens de satélite pela área de Gestão Territorial Estratégica do centro, ainda decoram várias salas da presidente da República, do ministro da Agricultura e de autoridades do governo federal.

Com a mudança na direção do centro, no final de 2009, teve início um processo de paralisação de diversas atividades de prestação de serviços aos Ministérios da Agricultura, do Planejamento, aos órgãos da Presidência da República e às organizações da sociedade, acompanhada de uma pressão sobre pesquisadores que já rendeu um processo por assédio moral contra a atual chefia na Justiça do Trabalho. Em 2010, o centro deixou de utilizar mais de R$ 6 milhões disponíveis para o monitoramento de obras do PAC!

No início deste ano, a atual chefia tentou apagar o passado do centro, ao retirar do acesso público os resultados de cerca de 50 projetos e ações de pesquisa, num total de milhares de páginas. Os dados só retornaram ao site, dois meses depois, após intervenção do ministro Wagner Rossi. Ele atendeu aos reclamos de parceiros e usuários do site, numa movimentação que envolveu até o prefeito de Campinas em manifestação pública sobre o tema (http://www.campinas.sp.gov.br/noticias-integra.php?id=5111).

Essa ação destrutiva culmina agora com o desmonte injustificável da área de Gestão Territorial Estratégica e a destituição de sua liderança, efetivada sem nenhuma consulta prévia ao CAE, aos parceiros e beneficiários de seu trabalho na Casa Civil e no gabinete de Segurança Institucional da Presidência, em outros Ministérios e, principalmente, no da Agricultura.

É inacreditável a ousadia dos projetos pessoais de alguns e dos interesses escusos de outros, ao agir com a res publica como se fosse sua propriedade privada. Oxalá o governo federal e, em particular, o ministro Wagner Rossi e a presidente Dilma Rousseff saibam que o País não pode prescindir de um trabalho tão essencial para a defesa da agricultura brasileira, aqui e no exterior.

Se o ministro Rossi e a diretoria da Embrapa não reverterem esse descalabro do atual gestor do centro, serão no futuro responsabilizados pela sociedade civil pela perda de um precioso cabedal de gestão estratégica territorial. Por não compartilhar tal irresponsabilidade na gestão de um serviço estratégico para o Brasil, apresento publicamente minha demissão do Comitê Assessor Externo da Embrapa Monitoramento por Satélite.


terça-feira, 15 de março de 2011

Rádio em Debate - Rádio e Geografia

Ouçam o programa Rádio em Debate da Ouvidoria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC, antiga Radiobrás) sobre o tema Rádio e Geografia.

O programa foi ao ar nos dias 4 e 5 de março. Você poderá ouvi-lo abaixo:

 Rádio em Debate - Rádio e Geografia by Canta Cantos

Fonte: http://www.cantacantos.com.br/blog/

Entrevista com o escritor e pesquisador alemão Sylk Schneider:


"Goethe, o brasileiro."
O escritor e pesquisador alemão Sylk Schneider, autor de “Viagem de Goethe ao Brasil”, fala da relação, quase obsessão, entre o canônico poeta alemão e o “país grandioso”
Edgar Welzel
De Stuttgart, Alemanha
Especial para o Jornal Opção

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) é visto como  o maior poeta da língua alemã. Stefan Zweig, que viveu 100 anos mais tarde, assim o definiu: “Goethe... o homem que a Alemanha, que a Europa vê como o mais sábio dos sábios, o mais maduro e esclarecido espírito do século 19...”.  Goethe não foi só poeta, dramaturgo, diretor de teatro, ministro e homem de Estado. Goethe atuou em várias áreas do saber humano. Ao lado de suas poesias, dramas e prosa, é autor de tratados tão distintos como arte, mineralogia, botânica, ótica,  granito, Aristóteles, Júlio César, arquitetura alemã, arte da Antiguidade. Sua biografia é amplamente conhecida graças aos seus minuciosos diários e milhares de documentos particulares arquivados na Anna-Amalia-Bibliothek de Weimar, cidade onde viveu a maior parte de sua vida. Há porém um detalhe na vida deste homem que, mesmo entre os seus admiradores alemães, é pouco conhecido. Goethe foi um grande admirador do Brasil. O primeiro registro em seu diário sobre o Brasil encontra-se no dia 8 de dezembro de 1802 e o último em 31 de setembro de 1831. São pequenas anotações mas que dão ao estudioso informações sobre o vasto campo de interesse de Goethe sobre o Brasil bem como o seu diversificado contato com outros cientistas e naturalistas que, na época, estudavam a flora, a fauna e as riquezas geológicas do país que na Europa, na época de Goethe, ainda eram desconhecidas. Tão acentuado foi o interesse de Goethe pelo Brasil que outros naturalistas, referindo-se a ele, chamavam-no de “Goethe, o Brasileiro”.
O acadêmico alemão Sylk Schneider (foto) interessou-se por este detalhe da vida de Goethe. Pesquisou nos arquivos da Anna-Amália Bibliothek e várias outras instituições. Publicou os resultados de suas investigações em um livro lançado na Alemanha com título enigmático: “Viagem de Goethe ao Brasil — Viagem Imaginária de um Gênio”. A entrevista foi feita via e-mail e é exclusiva do Jornal Opção.
Sua formação acadêmica abrange várias áreas. O sr. estudou economia, geografia e romanística na Universidade de Tübingen, no Sul da Alemanha. A romanística tem pouco a ver com as duas primeiras. Como se explica este currículo?
O meu estudo universitário de economia era direcionado para a economia da América Latina. Então era óbvio estudar também as línguas da região. Enquanto a maioria dos meus colegas optou pelo espanhol, eu me apaixonei pela língua portuguesa. O currículo exigia estudar, no mínimo, meio ano no exterior. Tive o prazer de estudar um ano de economia na Universidade Federal de Pernambuco. E isto no tempo do Plano Collor, que mexeu com o dinheiro de todo mundo.

Quais foram as suas experiências acadêmicas em Pernambuco?
Fiz os cursos de mestrado na Faculdade de Economia. O que adorei foi aquele jeito colegial dos professores e as classes pequenas. Um pouquinho perturbador foi a quantidade de greves que havia na época.

Pode-se dizer que o sr., com este currículo, é talvez o único autor alemão que domina o idioma português e isto de forma admirável?
Obrigado, mas, embora arranhe um pouquinho o português, ainda não tive coragem de traduzir meu próprio livro. Existem outros autores alemães com perfeito domínio do português, como Berthold Zilly, tradutor de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Outros autores alemães famosos sabem português “more or less” (mais ou menos). Günter Grass, por exemplo, que tem uma casa em Portugal, ou Frido Mann, neto de Thomas Mann, que começou a aprender português para pesquisar a história da família, em particular da bisavó, Julia Mann, que nasceu no Brasil. Está planejando abrir um centro cultural na casa de Julia Mann em Parati (RJ). E há no Brasil muitos teuto-brasileiros bilíngues como você, que escreveu “O Homem Sem Nome”. Verdade é que a língua portuguesa, na Alemanha, não tem a importância que merece. É a oitava língua mais falada do mundo, eu a acho até mais importante que o italiano ou o francês, mas, nas universidades da Alemanha, é muito pouco lecionada.

Como nasceu a ideia de escrever a "Viagem de Goethe ao Brasil?" Nasceu no Recife ou já se encontrava latente durante os seus estudos em Tübingen?
Na bela cidade do Recife, a Veneza brasileira, tornei-me fã dos relatos de viagens dos naturalistas europeus do século 19 que foram ao Brasil. Recife foi dominado pelos holandeses por mais de 30 anos. O conde alemão Maurício de Nassau, a serviço dos holandeses, comandava esse legado. E, ao contrário dos portugueses e da maioria dos outros povos colonizadores, esse conde teve uma política de comunicação aberta. Trouxe cientistas e pintores que muito o ajudaram em seu governo. Seu médico, Guilherme Piso, publicou uma obra sobre medicina tropical. Trata-se da primeira obra desse gênero publicada no mundo. Os quadros de Frans Post e Eckhout são muito detalhados. São as mais antigas pinturas paisagísticas do Brasil e da América Latina. Depois que os portugueses expulsaram os holandeses, o Brasil virou terra incógnita por mais de dois séculos. Mas, voltando à pergunta, no Recife encontrei relatos de naturalistas por toda parte. Fui lendo os relatos de Piso, Marcgrave, Baerleus, Laet, Koster, Martius, Eschwege, Wied, Spix, Kloss, Natterer, Pohl, von Schreibers, e notei que muitos dos livros do início do século 19 falavam de Goethe. Perguntei a mim mesmo por que aparece o nome de Goethe nos prefácios das edições dos livros de Eschwege, de Wied e de Martius sobre Brasil, e aí comecei a pesquisar as fontes do interesse de Goethe sobre o Brasil. Achei mais de 200, até hoje.

Donde veio o interesse de Johann Wolfgang von Goethe pelo Brasil?
Goethe sempre se interessou por notícias de outras partes do mundo. Sabemos que, quando a corte portuguesa fugiu das tropas de Napoleão para o Brasil,  houve uma mudança na política brasileira, até então fechada. O Brasil começou a se abrir para outras nações. Era a chamada segunda descoberta do Brasil. O interesse de Goethe logo despertou e foi aprofundado quando ele se tornou ministro de Estado da Saxônia-Weimar. O duque Carlos Augusto, da Saxônia-Weimar, soube que, em razão do casamento de Leopoldina da Áustria com o príncipe D. Pedro, iria uma expedição científica para o Brasil. Goethe recebeu a incumbência do duque para averiguar se o ornitólogo Thienemann seria apropriado para ser enviado ao Brasil para uma expedição científica. Não deu certo, por  razões que ainda não consegui descobrir, mas, desde então, o pequeno ducado da Saxônia-Weimar tornou-se um centro de recepção dos novos conhecimentos sobre o Brasil. E, no meio deste centro, estavam o duque e Goethe.

O século 19 foi o século dos naturalistas. Goethe manteve correspondência com muitos que viajaram pelo Brasil e por outros países da América Latina e conheceu muitos deles pessoalmente. Qual ou quais foram os naturalistas que mais o influenciaram?
O mais admirado por Goethe foi Alexander von Humboldt. Este, no entanto, nunca esteve no Brasil. Mais contato Goethe teve com o chamado pai da geologia brasileira, Wilhelm Ludwig von Eschwege, que publicou suas primeiras obras na editora de Friedrich Justin Bertuch, em Weimar. Eschwege apaixonou-se por Sophie von Baumbach, mas os pais da moça não permitiram o casamento. Achavam que Eschwege não era um genro vantajoso. Desgostoso, o geólogo Eschwege foi  para Portugal e, mais tarde, para o Brasil, onde o rei D. João VI nomeou-o diretor de seu gabinete geológico e diretor das minas de ouro. Eschwege foi o fundador da primeira usina de ferro no Brasil. Quando voltou do Brasil, rico e respeitado, sua primeira visita foi a Weimar. Soube então que Sophie von Baumbach tornara-se dama da Corte de Weimar. Só agora, 18 anos após a decepção inicial, os pais dela concordaram com o casamento. Goethe, que conhecia Sophie von Baumbach e as publicações de Eschwege, ficou feliz em conhecer o barão Eschwege pessoalmente. Nos diários de Goethe, consegui comprovar a ocorrência de mais de 20 encontros de Goethe com Eschwege e, nos arquivos de Weimar, existem várias cartas do Barão de Eschwege a Goethe. Outro cientista e brasilianista que Goethe encontrou duas vezes pessoalmente foi o chamado pai da botânica brasileira, Carl Philipp von Martius. A maior obra científica botânica do mundo escrita até hoje é a “Flora Brasiliensis”, iniciada por Martius. Lendo as obras de Martius, Goethe escreveu que “se sentia em casa nesse distante continente (Brasil)”.

Goethe foi poeta, homem de Estado e cientista nas mais  diferentes áreas do saber. Como se explica que, entre os naturalistas que viajaram à América, Goethe era conhecido como geólogo e quase não como poeta? 
Goethe era ministro das Minas e, como tal, se aprofundou muito em assuntos geológicos. Como geólogo, era conhecido nos Estados Unidos, antes de se tornar famoso como escritor.

Na época de Goethe quase não existia literatura sobre o Brasil em língua alemã. Mas consta que Goethe já tinha em sua biblioteca particular várias obras de outras línguas que tratavam sobre o Brasil. A biblioteca de Goethe permanece intacta, da forma como ele a deixou. O sr., em suas pesquisas, conseguiu averiguar que obras sobre o Brasil estavam em poder de Goethe?
Sim, até hoje a biblioteca de Goethe está intacta. Através do catálogo de Ruppert sabemos quais são os livros que Goethe possuía. Como pesquisador, tive o privilégio de ver os originais. Há dezenas de obras que tratam de assuntos brasileiros. Uma obra belíssima é a descrição da viagem de Martius, que vem acompanhada de lindas gravuras, de 50 x 70 centímetros. Outra obra com lindas gravuras é a descrição da viagem do princípe Maximilian von Wied-Neuwied ao Brasil.

A vida e a obra de Goethe são  bem conhecidas graças aos seus diários, registros de viagem e milhares de papéis que ele deixou, além de várias boas biografias que se encontram no mercado. Como se explica que a admiração de Goethe por tudo que dizia respeito ao Brasil é tão pouco conhecida, mesmo entre os seus admiradores alemães?
Além do seu interesse pelo Brasil como ministro, geólogo e botânico, há mais uma razão  que descobri nas cartas: a vontade de viajar sem poder, devido a sua avançada idade. “A visita dos viajantes me dá o prazer de viajar sem me deslocar”, dizia, ou “como não sou mais jovem, a alternativa é viajar por meio das bibliotecas”.

Goethe exerceu a profissão de advogado em Frankfurt por pouco tempo, quando conheceu o grão-duque  Carlos Augusto de Weimar, que se tornou  seu protetor. Os dois homens tornaram-se amigos, amizade que durou a vida toda. Carlos Augusto, apesar de mais jovem que Goethe, apoiou-o financeiramente durante toda a vida. Será que Goethe teria sido Goethe sem este apoio financeiro por parte dos cofres do Estado?
Goethe chegou a Weimar já famoso como autor do “Jovem Werther”. Era de uma família rica. O duque foi superinteligente ao dar apoio a Goethe, porque o pequeno ducado de Weimar era um dos mais pobres da Alemanha. Nunca iria conseguir alcançar importância financiando um grande exército ou investindo na economia. A cultura era a única saída. Até hoje Weimar vive dessas decisões dos duques em investir na cultura.

A Anna-Amalia Bibliothek em Weimar abriga o acervo de Goethe. Consta ter ele escrito mais de 30 mil cartas das quais ainda se conservam 15 mil. Em muitas cartas Goethe fala do Brasil. Quantas destas cartas o sr. leu e analisou a fim de redigir o seu livro?
As cartas de Goethe são guardadas no arquivo Goethe e Schiller, em Weimar, que, como o Museu Nacional de Goethe e a Biblioteca Anna-Amalia, faz parte da segunda maior fundação cultural da Alemanha (Klassik Stiftung Weimar). Não contei as cartas, mas são muitas, centenas. E ainda faltam-me para pesquisar e aprofundar  outras tantas cartas dos amigos brasilianistas de Goethe.

Goethe tinha bom conhecimento sobre a flora brasileira. Sempre que um naturalista viajava ao Brasil ele pedia que lhe trouxessem sementes e mesmo mudas de plantas para seu jardim em Weimar. Ainda existem árvores de sementes do Brasil plantadas por Goethe em Weimar?
As plantas do Brasil, em geral, precisam de uma estufa para sobreviver aos invernos rigorosos da Alemanha. O próprio Goethe só tinha jardins ao ar livre. Mas, no catálogo do jardim do duque, em Belvedere, constam plantas do Brasil. E ainda hoje o jardim tem, por exemplo, uma Araucária. Mas duvido que seja uma das de Goethe.

Goethe era um grande colecionador. Sua coleção constava de 26.500 peças que se encontram intactas em sua última residência, um casarão de 50 aposentos, que hoje é museu. Ao barão Guilherme Ludovico von Eschwege, que fora chamado ao Brasil por D. João VI, Goethe pediu que lhe trouxesse alguns diamantes, pedido que o barão von Eschwege atendeu. Goethe, que também era ministro de Finanças do duque, pagou com dinheiro do Estado mas os diamantes ficaram em sua coleção. Goethe era um pilantra? Como terminou esta história?
Os diamantes ficaram provisoriamente na coleção de Goethe só por um certo tempo. Nunca foram incorporados em sua coleção. É óbvio que Goethe, na política das compras, também seguia seus próprios interesses. Como diretor da biblioteca do duque, por exemplo, Goethe era responsável pela aquisição de livros. Por esta razão muitas vezes encontram-se os mesmos livros na biblioteca do duque (hoje biblioteca Anna-Amalia) e na biblioteca de Goethe. Só que o exemplar do duque era com gravuras coloridas à mão, quatro a cinco vezes mais caras, enquanto o de Goethe era em preto e branco.

Entre a coleção de Goethe encontrava-se também uma rede feita por uma tribo de índios do Amazonas. Sabe-se quem é que lhe trouxe esta rede?
É muito provável que a rede tivesse sido um presente de Martius, porque é do mesmo tipo de rede de buriti que é descrita no livro de viagem de Martius.

O sr. tem conhecimento se Goethe testou esta rede? É possível imaginar que o maior poeta alemão tenha dormido numa rede feita por índios de uma tribo do Amazonas?
Infelizmente não encontrei prova de que Goethe haja testado a rede, mas adoro imaginá-lo deitado numa rede, sonhando com o Brasil. É uma ideia que torna o maior escritor alemão mais acessível e simpático, não acha?

Se esta rede ainda existe onde se encontra?
A rede existe em estado original, bem conservada, nas coleções do Museu Nacional de Goethe, em Weimar. Pude vê-la pessoalmente, pela primeira vez, em outubro passado e fiquei surpreso com o seu perfeito estado de conservação. Está intacta e acho que se poderia deitar nela ainda hoje.

O príncipe Maximiliano Wied zu Neuwied trouxe do Brasil duas espécies de malva que ainda não tinham sido descritas cientificamente. O botânico Nees von Esenbeck fez esta decrição.  Como aconteceu que estas malvas acabaram recebendo o nome científico de Goethea cauliflora” e Goethea semperflorens em homenagem à Goethe?
Nees von Esenbeck explica numa carta a Goethe: “O cientista adora ver os grandes mestres no mundo da botânica”. Nees von Esenbeck, Wied Neuwied e Martius tinham contato entre si e com Goethe e os três sabiam do interesse que Goethe tinha por assuntos do Brasil. Então decidiram dar o nome de Goethe a esta família de plantas, da ordem das malváceas.

É verdade que alguns jardins botânicos da Alemanha continuam a cultivar estas Goetheas?
Não só os jardins botânicos da Alemanha, como em Bonn, Hamburgo, Frankfurt, Jena, Heidelberg e outros, mas também os de Nova York e o Kew Gardens, em Londres. No Brasil, em 1932, foi plantada uma Goethea no jardim do Petit Trianon, da Academia Brasileira de Letras, e foi fundado no Rio O parque da Goethea. Adoraria se as escolas do Brasil que ensinam alemão plantassem, com a Goethea, o espírito humanista de Goethe nos jardins da escola. A nova associação de Goethe do Brasil seguiu a minha sugestão e escolheu a Goethea como logotipo da associação.

A Universidade Humboldt de Berlim  há dez anos está fazendo um trabalho de pesquisa com a Goethea. Qual é o objetivo desta pesquisa?
A pesquisa do professor Grüneberg conseguiu, nos últimos dez anos, adaptar a planta tropical Goethea em uma planta ornamental para o interior das casas na Alemanha. Pesquisaram como deverá ser tratada, quanta luz, água.

Nos arquivos de Goethe encontra-se um manuscrito sobre a raiz-preta (conhecida também como boi-gordo) e a ipecacuanha. O sr. conhece este manuscrito e quais foram os interesses de Goethe por estas duas ervas brasileiras?
Goethe era tão conhecedor da botânica do Brasil que ele descobriu um erro na descrição do geólogo Eschwege sobre essa planta. Usou, então, a sua rede de “brasilianistas e cientistas” para esclarecer esse erro. Já naquela época existia grande interesse por novas plantas medicinais e Goethe claramente reconheceu o enorme e valioso potencial da flora do Brasil para a cura de muitas doenças. Em sua biblioteca existe uma obra de Martius chamada “Plantas Medicinais do Brasil”. Hoje em dia, estamos redescobrindo a força e o potencial da flora brasileira para fins medicinais. A ipecacuanha existe hoje como produto medicinal semi-industrializado.

Em 1821 foi inaugurado um Museu Brasileiro em Viena. No mesmo ano houve uma exposição na qual foi “exposto”, ao vivo, um casal de índios botocudos, uma medida hoje impensável. Quem é que trouxe este casal a Viena?
Estes índios vieram com Emanuel Pohl, que fazia parte da missão científica que fora ao Brasil junto com a princesa Leopoldina.

Onde ficou este casal?
Foi exposto em praça pública em Viena como se fossem animais.

Foi este o primeiro e último casal de botocudos na Europa?
Antes já estivera na Europa o botucudo Quäck, que veio junto com o príncipe Wied. Quäck serviu como servo pessoal do príncipe no seu castelo em Neuwied. Além disso, um casal de crianças índias da tribo miranha do Rio Tefé, Amazonas, foi trazido por Martius e também exposto em Munique. Deram-lhes os nomes de Puri e Isabela.

Quem é que cuidou delas e que fim levaram estas crianças?
Isabela e Puri ficaram aos cuidados dos empregados de Martius, mas morreram cedo, por causa do clima e das doenças europeias. Estão sepultados num grande túmulo ornamental em Munique. No túmulo há uma gravura imitando o vento e a inscrição: “O cruel vento do Norte os levou”.

No prefácio de seu livro, o sr. escreve: “Meu desejo é que este meu trabalho motive pesquisas adicionais... a fim de esclarecer outros detalhes interessantes...” Isto significa que o sr. vê o seu livro incompleto? 
Quanto mais você pesquisa um assunto tanto mais detalhes você encontra. Por que, por exemplo, o ornitólogo Thienemann não foi para Brasil? Talvez se ache uma pista nos Arquivos Secretos do Estado da Prússia.

No epílogo o sr. volta ao assunto e reforça que o seu trabalho é um trabalho incompleto. O sr. chega até a dar 13 sugestões sobre tópicos que ainda deveriam ser pesquisados e incluídos. Afinal o sr. fala dos altos custos. É este o maior obstáculo?
O maior obstáculo é a falta de tempo. Logicamente, se você tiver um mecenas que lhe custeie, você pode se desfazer de algumas tarefas e concentrar-se mais nas pesquisas.

O sr. prefere que outros continuem a pesquisar o assunto? Não seria normal o sr. mesmo dar seguimento ao tema?
O melhor seria criar um grupo de pesquisa internacional que aborde vários aspectos. Acabei de voltar de Lyon, na França, da “Journée d’études Faust, le diable et le désenchantement du monde”, onde vários professores de Germanística e pesquisadores da França, da Alemanha e da Espanha abordaram aspectos do “Fausto”. Falei sobre as minhas pesquisas sobre Goethe e o Brasil, que só aleatoriamente têm a ver com o “Fausto”. Por exemplo, Martius escreve para Goethe: “Nada me preparou tanto para a viagem ao Brasil como a obra de Spinoza e o seu ‘Fausto’.”  Na primeira carta, ele escreve que, na solidão das matas do Amazonas, Martius e Spix falaram muito no “Fausto” e na “Metamorfose das Plantas”, outra obra importante de Goethe. Comentei também que umas das primeiras obras que Goethe leu sobre o Brasil foi a famosa “Historia das Índias” (o Brasil era parte da Índia Ocidental), de um “pai da Revolução Francesa”, Abbé Raynal. Não domino o francês, portanto ficaria muito contente se alguém pesquisasse a obra de Raynal em relação a Goethe. Sei que deve haver, no Brasil, cartas entre Dom Pedro e Martius. Será que falam de Goethe? Ficaria muito feliz se alguém localizasse essas cartas.

Em outras palavras, o que resta a fazer é tarefa que um indivíduo só não pode fazer. Seria trabalho de equipe com técnicos e especialistas de vários ramos e com apoio financeiro do governo ou de instituições culturais e mesmo empresas  particulares. Seria este o caminho?
Este seria o caminho ideal.

Quanto ao lançamento de seu livro no Brasil. O sr. já tem estabelecido contato com editoras brasileiras?
Já fiz uma leitura no Brasil, na Livraria Cultura (em São Paulo), e notei que o interesse é ainda maior no Brasil do que na Alemanha. Daí surgiu a ideia de publicá-lo também Brasil. Na última Feira do Livro de Frankfurt, em outubro do ano passado, entreguei o meu livro a duas editoras.

Qual foi a reação?
Estou aguardando. Talvez encontre um editor que se interesse pelo assunto.

Weimar, na época de Goethe, era uma pequena cidade com cerca de 6 mil habitantes. Como foi possível que esta pequena cidade se transformasse num alto centro cultural que influenciou não só a cultura na Alemanha mas em toda a Europa?
Este fato é impressionante mesmo. Claro que foi a política do Ducado da Saxônia-Weimar, no tempo de Goethe, de fomentar a cultura e também por ser um dos Estados mais liberais da época. Mas as gerações seguintes também contribuíram. No dia 4 passado, o Museu da Cidade de Weimar, onde trabalho atualmente, abriu a exposição “Weimar/Wartburg — Wartburg / Weimar — conceitos de cultura para um mundo educado”, que aborda a política da geração seguinte, com Liszt em Weimar, e a reconstrução do castelo de Wartburg, a abertura da Kunstschule (Escola de Arte), que foi o ponto de partida para a próxima inovação em Weimar: a Bauhaus, que revolucionou a arquitetura no século 20.

Sr. Schneider, já abordamos vários temas. O sr. gostaria de acrescentar algo que seja de interesse de nossos leitores?
Caso tenhamos suscitado o interesse de um ou outro leitor em saber mais sobre Goethe, sugiro que leiam o “Fausto”, e é claro que vale a pena visitar o Estado da Turíngia, cujas cidades não são muito grandes. Em compensação (Weimar hoje tem 60 mil pessoas), são ricas em cultura.
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